… e ela pegou o buquê!

Veio em sua direção. Foi instintivo.

Pra começar, ela poderia nem ter ido até próximo ao palco, junto às outras garotas. A noiva já havia iniciado a contagem para jogar as flores virada de costas para o público. Uma, duas vezes. E ela ainda estava no fundo do salão, na mesa, rindo com os amigos. Mas algum anjo lhe disse ao ouvido: “Corre lá na frente, é a hora do buquê!”. E ela foi. Arrastando uma amiga.

Lá chegaram as duas, na eurofia do momento e na expectativa de que o brinde voasse pelos ares. Para bem longe delas, como sempre acontecia.

Até aquele momento, muitas foram as tentativas de obter o arranjo deste modo. Ano após ano, matrimônio após matrimônio, lá estava ela no “grupinho da esperança”, disposta até mesmo a esbofetear concorrentes para conquistar o prêmio da noite! Com ele, teria a sensação de ser a próxima a ter a mesma felicidade ou, no mínimo, o poder de aguardar sem medo a hora de selar votos perpétuos com seu príncipe encantado!

Culturalmente falando, pegar o buquê é um símbolo de sorte que lhe chega as mãos. E um objeto de status entre as mulheres.

Mas, nesse caso, especificamente neste dia, a situação era diferente. Tentativas pregressas mal-sucedidas a levara até aquele grupo somente pela diversão do acontecimento, pela bagunça coletiva. E só. Afinal, estava solteira – há pouco tempo, diga-se de passagem. Se acompanhada não teve sorte mesmo, agora é que o objeto iria correr para o lado oposto de onde estava!

Então veio a noiva, mais uma vez. “É um… é dois… é três… e… tumquititum-tum-tum-tiquintum”. E ela riu, achou o máximo! “É um… é dois… é TRÊS!”. E o buquê voou, lentamente, em seu percurso gravitacional, vindo pelo lado esquerdo do salão. Todas olhavam! E agora, e agora? Ele estava próximo a ela… passaria em cima de sua cabeça… ela esticou a mão… tão simples, tão a coisa certa a se fazer… e fechou os dedos no caule das flores. E as trouxe para junto do peito.

Todas olharam, agora para ela, algumas invejosas, outras supresas. A amiga tinha tufos de pétalas nas mãos, tentara pegar também, mas só havia tocado no enfeite, sem conseguir segurá-lo. “Que engraçado!”, elas riram. Então a noiva veio, tirou foto, comemorou e desejou toda a felicidade do mundo para ela, a sortuda da noite!

Que assim seja!

PS: será que para pegar o buquê é preciso estar solteira? kkkkk, que mundo irônico!!!!

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5 pensamentos sobre “… e ela pegou o buquê!

  1. A única vez que peguei o buquê na vida (até pq morro de vergonha de participar) foi no casamento da minha irmã, solteiríssima…quatro dias depois eu fiquei com o Fabricio, mas não sei se saiu direito…. hauhauauahauha

  2. Acho que não é ironia.. é o desapego. Mas que bom que isso nao aconteceu antes, senão os planos poderiam ter sido muito maiores .. kkk

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